domingo, 5 de fevereiro de 2017

Advaita Saptamī - Aparecimento Transcendental de Advaita Acharya




Deidade de Advaita Acharya em Shantipur

Advaita Saptamī é o dia em que Advaita Ācārya apareceu neste mundo. Advaita Ācārya, a causa do mundo material, foi o primeiro a aparecer, depois veio Nityānanda Prabhu em trayodasī e o Próprio Śrī Caitanya Mahāprabhu em pūrṇimā, descendo neste mundo com o esplendor de rādhā-bhāva. Dessa forma, iniciam-se os passatempos de Mahāprabhu.

vande taṁ śrīmad-advaitā-cāryam adbhuta-ceṣṭitam



yasya prasādād ajño ’pi tat-svarūpam nirūpayet



Śrī Caitanya-caritāmṛta (Ādi-līlā 6.1)

Oro a Advaita Ācārya, cujos passatempos são especialmente maravilhosos, para que, por sua misericórdia, eu seja capaz de descrever este difícil tattva facilmente. O que são estes maravilhosos passatempos? Ao ver Nityānanda Prabhu, Advaita Prabhu começou a reclamar: "De onde vem este avadhūta? Hoje ele chegou em nossa casa e lançou prasāda em todas as direções! Ele não sabe a qual classe pertence, na verdade, ele não se enquadra em nenhuma classe! Nós somos brāhmaṇas, somos os melhores da sociedade, e ele derrubou prasāda sobre os corpos de todos os aqui presentes!”


Então Nityānanda Prabhu disse, “Ei, aparādhī! Você está comentando uma ofensa contra mahā-prasāda. Você a considera um mero alimento que está apenas sendo jogado ao vento? Você é incapaz de ver a boa fortuna que ela concede, e qualquer um que tenha seu corpo tocado por tal prasāda conseguirá definitivamente superar māyā”.

Dessa maneira, geralmente costumava haver algumas brigas entre eles. Até quando se banhavam, havia algum bate-boca. Nessa época, Nityānanda Prabhu era muito jovem. Mahāprabhu era o mais novo, depois vinha Nityānanda e então o mais velho de todos, Advaita Ācārya, cujas ideias podiam ser por vezes muito difíceis de compreender. Certa vez, ele enviou um misterioso soneto para Mahāprabhu.

bāulake kahiha, – loka ha-ila bāula bāulake kahiha, – hāṭe nā vikāya cāula

bāulake kahiha, – kāye nāhika āula bāulake kahiha, – ihā kahiyāche bāula

Śrī Caitanya-caritāmṛta (Antya-līlā 19.20–1)

Um lunático manda uma mensagem para outro lunático. Não há mais a necessidade de arroz nos mercados, já é hora de fechar a loja.

Ninguém foi capaz de compreender tal soneto. Após lê-lo, Mahāprabhu se mostrou indiferente. Somente Svarūpa Dāmodara foi capaz de entender um pouco o humor de Advaita Ācārya; ninguém mais podia compreendê-lo. Ele quis dizer que um lunático – Advaita Ācārya, ensandecido por kṛṣṇa-prema – envia uma mensagem para outro lunático – Śrī Caitanya Mahāprabhu, que deixou o mundo ensandecido por kṛṣṇa-prema, a loucura original. “Não há mais a necessidade de arroz” indica que todos haviam recebido prema e que a tarefa já estava concluída. "Portanto, a loja deve ser fechada” indica que “Seus passatempos neste mundo material chegaram ao seu desfecho”. Mas ninguém foi capaz de entender isso; somente Svarūpa Dāmodara entendia o significado. Dessa forma, os passatempos de Advaita Ācārya eram misteriosos e maravilhosos.

Embora a essência da Bhagavad-gītā advogue em nome de bhakti, na época do aparecimento de Advaita Prabhu, ninguém explicava dessa forma. A mensagem da Gītā é repleta de devoção – viśate tad anantaram (Bhagavad-gītā [18.55]): "Por fim, ele entra em Mim”. Os Advaitavādīs entendem que isso indica que Bhagavān e a jīva se fundem em Brahman e se tornam um. Eles dizem que ao entoar “ahaṁ brahmāsmi” e ao praticar meditação, a individualidade aparente das almas se mesclam no final e que esse mundo material é falso. Advaita Ācārya inicialmente explicou bhakti a partir dos seguintes versos: satataṁ kīrtayanto mām (Bhagavad-gītā (9.14)); ananyāś cintayanto māṁ, ye janā˙ paryupāsate (9.22); e bhakti labhate parām (18.54) – no final, alcançaremos bhakti. Por meio dos preceitos descritos nestes versos, então viśate tad anantaram – entramos em bhakti. Não que encontramos Bhagavān em Brahman, entrando em uma luz não diferenciada. Viśate indica que entramos em Seu dhāma e obtemos Seu serviço, mas alguns tentavam modificar o significado.

Depois de algum tempo, Advaita Ācārya foi até Śāntipura e também começou a explicar o significado de viśate tad anantaram como “ahaṁ brahmāsmi: todas as almas se mesclarão em Brahman”. Ao ouvir isso, Mahāprabhu foi até lá e puxou sua barba e o açoitou até que Sītā-devī, a esposa de Advaita Ācārya, apareceu para protegê-lo. Isso também é maravilhoso, pois após ter sido açoitado, Śrī Advaita ficou jubilante e começou a dançar. Antes disso, Mahāprabhu oferecia praṇāma a ele e demonstrava o respeito condizente a um guru, pois Advaita Prabhu era discípulo de Mādhavendra Purī. Mahāprabhu pensava, “Ele é um discípulo do Meu parama-guru, então é Meu dever oferecer praṇāma e sevā a ele. Ele é digno de Minha veneração, portanto devo servi-lo e venerá-lo”.

Para livrá-Lo dessa incumbência, Advaita ācārya deu a explicação impersonalista nirviśesavāda da Bhagavad-gītā. Quando Mahāprabhu irritou-se e começou a açoitá-lo, Advaita Ācārya disse, “Hoje atingi o sucesso em minha vida. Quero que aceite meu serviço, pois Você é meu superior. Quem poderia ser superior a Você?” Mahāprabhu então se encabulou.

Em outra ocasião, Mahāprabhu disse a Sua mãe Śacī-devī, “Não demonstrarei mais o meu amor por você, pois desrespeitou um devoto. Você cometeu vaiṣṇava-aparādha ao dizer a Advaita Prabhu, “Seu nome Advaita (não-dual) não é apropriado; você deveria se chamar Dvaita (dual). Você não é advaita, é dvaita”. Disse que Advaita Ācārya traz a ‘dualidade’, separação nos relacionamentos - que ele separa uma mãe de seu filho, um pai de seu filho, um irmão de seu irmão. Advaita Ācārya explica o caminho da devoção, rompendo assim os grilhões que enredam o indivíduo ao mundo material. Uma mãe sente afeição natural por seus filhos, mas se Advaita Prabhu é capaz de aumentar a atração espontânea de alguém por Kṛṣṇa, o que então poderia ser superior
a isso? Se alguém está dando instruções de que a jīva se esqueceu de Bhagavān por milhões de nascimentos, estabelece sambandha (conhecimento de nossa real relação com Bhagavān) e sādhya (a realização final) e dá instruções de como o bhajana corta os grilhões que nos prendem ao mundo material, o que poderia ser superior a isso?”

Śacī-devī respondeu, “Ele me separou do meu amado Viśvarūpa. Ele deu instruções que culminaram na separação de meu Viśvarūpa, que deixou a sua casa e se tornou sannyāsī. Portanto, “Advaita” indica aquele que uma vez conhecido, a pessoa não desejará mais nada neste mundo. Então seu nome deveria ser “Dvaita””.

Mahāprabhu disse, "Por ter se dirigido a um devoto dessa forma, nenhum de nós continuará demonstrando amor por você”.

Enquanto ela ficou ali parada, todos lhe disseram que devido à ofensa cometida aos pés de Advaita Ācārya, não poderiam mais demonstrar nenhum amor por ela. Então, Śacī-devī implorou o perdão de Advaita Ācārya, mas em vez disso ele caiu aos seus pés de lótus e lhe disse: “você é a mãe de todo o mundo. Não é possível que cometa nenhuma ofensa. Mas tudo bem, se alguém está dizendo que houve alguma ofensa, eu digo que está perdoada.” Então Śacī-devī retornou a Mahāprabhu e tudo ficou bem. Muitos passatempos maravilhosos, como este mencionado aqui, foram executados por Śrī Advaita Prabhu.

Advaita Acharya invocando o Senhor Supremo
Advaita Ācārya também foi fundamental para trazer Śrī Caitanya Mahāprabhu para este mundo. No fim de Dvāpara-yuga, após concluir Seus passatempos neste mundo e retornar para Goloka Vṛndāvana, Śrī Kṛṣṇacandra pensou, “Eu tenho três desejos que ainda não foram satisfeitos. Compreender as glórias do amor de Rādhikā, descobrir a doçura que Ela encontra em Mim e experimentar essa doçura – sem adotar o sentimento da Própria Rādhikā e a refulgência de Sua forma, não será possível experimentar essas três coisas. Já experimentei sakhya-rasa, vātsalya-rasa e mādhurya-rasa, mas ainda não fui capaz de experimentar a felicidade que Ela sente ao Me ver e qual é a natureza do Seu prema por Mim. Para experimentar isso, eu preciso retornar ao mundo material”.
Naquele momento, havia a necessidade de se dar yuga-dharma. A era de Kali, que dura 432.000 anos, havia chegado. Normalmente, ao final de cada yuga surge uma encarnação de Bhagavān. No final de Tretā-yuga, Rāmacandra surgiu e no final de Dvāpara-yuga, Kṛṣṇa surgiu. Dessa forma, um yuga-avatāra vem quando a desordem no mundo material atingiu seu limite mais alto.

dharma-saṁsthāpanārthāya sambhavāmi yuge yuge

Bhagavad-gita (4.8)

A fim de restabelecer os princípios da religião, Eu apareço milênio após milênio.

Bhagavān pensa, “Veja o quanto as atividades pecaminosas estão aumentando e como o caos se alastra devido às atividades demoníacas. Quando devo descer?"

Então, na verdade, há quatro razões para a vinda de Mahāprabhu. Duas delas principais e duas secundárias. A razão principal é experimentar o prema de Rādhikā e a segunda é:

anarpita-carīṁ cirāt karuṇayāvatīrṇa˙ kalau
samarpayitum unnatojjvala-rasāṁ sva-bhakti-sriyam

Śrī Caitanya-caritāmṛta (Ādi-līlā 1.4)



Por Sua misericórdia sem causa, Ele surge na era de Kali para conceder o que nenhuma outra encarnação ofereceu anteriormente: unnata ujjvala-rasa – o amor mais doce e sublime a Seu próprio serviço.

Mahāprabhu queria conceder uma riqueza particular de prema para as jīvas que jamais haviam sido agraciadas com as encarnações anteriores: unnata-ujjvala-rasa – a parakīya-bhāva das gopīs. Há dois tipos de unnata-ujjvala-parakīya-rasa. Um tipo é o sentimento de Rādhikā, que não pode ser concedido. Mas o outro, o sentimento das nitya-sakhīs e das prāṇa-sakhīs que servem e seguem Rādhā e que também servem Kṛṣṇa – essa unnata-ujjvala-rasa pode ser concedida. Portanto, para oferecer o prema mais elevado a todas as jīvas e para experimentar o prema de Rādhikā, Kṛṣṇa aparece.

A terceira razão é para pregar yuga-dharma, nāma-saṅkīrtana; e a quarta razão é:

yadā yadā hi dharmasya glānir bhavati bhārata

abhyutthānam adharmasya tadātmānaṁ sṛjāmy aham

Bhagavad-gita (4.7)

Quando e onde houver um declínio na prática religiosa, Ó descendente de Bharata, e um aumento predominante da irreligião – neste momento, eu desço.


Estas são as quatro razões. Kṛṣṇa pensava, “Quando devo ir? Para estabelecer yuga-dharma, descer no final da yuga é correto, mas se em vez disso Eu pregar nāma-saṅkīrtana no início da yuga, a influência degradante da yuga terá um efeito menor nas jīvas. Quando devo conceder o sentimento das gopīs e quando devo experimentar o amor de Rādhikā?” Ele considerou todos estes pontos.

Enquanto isso, Advaita Ācārya presenciava bhakti desaparecendo gradualmente deste mundo e pensou: “Agora é o momento apropriado para a encarnação de Kṛṣṇa. Se ele não vier agora, o que acontecerá depois?” Ao mesmo tempo, ele também pensava na forma de Kāraṇodakaśāyī Viṣṇu. Contemplava em um ponto onde sattva, rajas e tamas estão todos na mesma posição. Há duas causas do mundo: uma é upādāna, a causa ingrediente, e a outra é nimitta, a causa eficiente. O próprio Mahā-Viṣṇu é a causa nimitta, e sua parte, Advaita Ācārya, é a causa upādāna.

Suponhamos que se eu apontar para alguém e falar: “este homem é um vândalo, ladrão e mentiroso. Agarre-o e expulse-o; sua entrada aqui jamais deverá ser permitida novamente.” Você pode nem conhecê-lo, mas ao me ouvir dizer isso, rapidamente o expulsa. Qual foi a causa de sua expulsão? Foi através da minha ordem de pegá-lo e expulsá-lo daqui, então você é a causa upādāna e eu sou a causa nimitta. Mas quem é a causa real do homem ter sido expulso? O seu comportamento inadequado, o próprio homem é a causa; e esta é exatamente a situação em relação a criação do mundo material.

Kāraṇodakaśāyī Viṣṇu assume duas formas para criação do mundo material: a causa eficiente e a causa ingrediente. Quando as duas se unem, incontáveis brahmāṇḍas são gerados. Mas se Bhagavān não injetou o Seu desejo, o que acontece? Em qualquer atividade, primeiro há o desejo para que, de fato, algo possa ocorrer. Portanto, o desejo de Mahā-Viṣṇu é a causa primária, e dependente do Seu desejo está o desejo de Advaita Ācārya, que é a causa secundária. Desta forma, Kāraṇodakaśāyī Viṣṇu executa a atividade de criação do mundo, e Sua encarnação é Advaita Ācārya.

advaita-ācārya gosāñi sākṣāt īshvara yāṅhāra mahimā nahe jīvera gocara

Śrī Caitanya-caritāmṛta (Ādi-līlā 6.6)

Śrī Advaita Ācārya é diretamente o Próprio Īshvara. Suas glórias não podem ser compreendidas por entidades vivas ordinárias.
Do mahat-tattva, surge o falso ego. Do falso ego surge o som, o toque, a forma, o sabor e o cheiro. Em seguida vêm os onze sentidos e depois os cinco elementos materiais. Isso soma vinte e dois, e com a inteligência e mente já são vinte e quatro. Ao adicionar prakṛti, puruṣa, ātmā e Paramātmā, reunimos vinte e oito aspectos de tattva. Deixando de lado Bhagavān e jīvātmā, todo o restante é aceito pelas escolas de pensamentos de sāṅkhya e nyāya.

ye puruṣa sṛṣṭi-sthiti karena māyāya ananta brahmāṇḍa sṛṣṭi karena līlāya icchāya ananta mūrti karena prakāśa

eka eka mūrte karena brahmāṇḍe praveśa

se puruṣera aṁśa – advaita, nāhi kichu bheda śarīra-viśeṣa tāṅra – nāhika viccheda

sahāya karena tāṅra la-iyā ’pradhāna’ koṭi brahmāṇḍa karena icchāya nirmāṇa

Śrī Caitanya-caritāmṛta (Ādi-līlā 6.8–11)

Mahā-Viṣṇu executa a função de criação de todos os universos materiais e Advaita Ācārya é uma encarnação direta dEle. Criar e manter estes incontáveis universos com sua energia externa é seu passatempo e por sua própria vontade ele se expande em inúmeras formas e entra em cada um destes universos. Advaita Ācārya é uma parte integrante não-diferente de Mahā-Viṣṇu, ou em outras palavras, outra forma dele.

Alguns dizem que a natureza encena o processo de criação por si só com base no seguinte exemplo: "Uma vaca come grama, e automaticamente o leite é produzido. Qual a necessidade de qualquer outra pessoa neste processo? Dessa forma, a natureza faz tudo por si só.”

Para refutar isto, um Vaiṣṇava inocente e de pouca instrução disse, “A vaca come a grama e dá o leite, então como o touro come a grama e também não dá leite? Ele precisa comer mais grama?”

O paṇḍita da escola sāṅkhya precisou pensar um pouco. Então ele disse, a respeito da causa upādāna: “para fazer uma casa, todos os elementos, tais como tijolos, são necessários.”

Então o Vaiṣṇava disse, “Para construir uma casa são necessários tijolos ou cimento, então se eu trouxer mil quilos de cimento, dez mil tijolos, um lago imenso, madeiras e mármore,  essas coisas farão uma casa? Somente por upādāna isso não acontecerá, pois é necessário a causa nimitta. Mesmo que haja uma caneta e um papel, eles por si só escrevem? Portanto, a natureza material por si só não cria nada sem que o desejo de Bhagavān esteja presente.”

Nenhuma ação ocorre neste mundo por si só, por isso esta filosofia prakṛtivāda é incorreta. Prakṛti significa matéria, puruṣa consciência e quando ambas se unem, surge a criação. Em prakṛti não há nenhuma ação, nenhum desejo inato – trata-se de uma matéria inerte. Mas ao ser ativada por puruṣa, a tarefa é automaticamente realizada. Os comunistas dizem, "Qual a necessidade de Deus nisto tudo? A natureza por si só já cria", mas não há ninguém no mundo capaz de criar algo por conta própria.

Certa vez, um coxo e um cego estavam indo para algum lugar juntos e o homem coxo disse, "Leve-me nos seus ombros. Com os meus olhos eu lhe direi para ir para a direta, esquerda ou seguir reto em nosso caminho, e com suas pernas chegaremos lá. Do contrário, nem você nem eu chegaremos lá.” Trabalhando juntos, eles conseguiram chegar ao destino desejado. Neste exemplo, o homem manco é consciente e o homem cego também, e por ambos serem conscientes, o trabalho foi concluído. Mas na criação, apenas Bhagavān é consciente, e a natureza não. Sem ao menos um ser consciente, não é possível realizar nenhum trabalho no mundo. Estas questões podem parecer um pouco áridas, mas são pontos muito importantes e agradáveis relacionados à bhakti e os Vaiṣṇavas devem se esforçar para entendê-los.

Em todo este tattva, a causa raiz do mundo material é Kṛṣṇa, pois originalmente é Ele quem injeta o Seu desejo. Ele se torna dois tipos de Saṅkarṣaṇa: a raiz Saṅkarṣaṇa e Mahā-Saṅkarṣaṇa. De Mahā-Saṅkarṣaṇa, Ele se torna Kāraṇodakaśāyī Viṣṇu e, subsequentemente, torna-se Advaita Ācārya e a causa upādāna. Algumas pessoas dizem que a causa upādāna está separada de Bhagavān, que a causa upādāna do mundo material não é Bhagavān. Elas dizem que Ele pode ser a causa nimitta, mas não a causa upādāna. Mas além de Kṛṣṇa não há nada, então de onde veio o mundo material? Qual a origem do mahat-tattva? Também surge do desejo de Kṛṣṇa. Não há nada em toda a existência que esteja separado dEle. Kṣraṇodakaçāyī manifesta a criação e o mahat-tattva, a própria natureza, não é diferente dEle. Para corrigir as almas que se esqueceram de Bhagavān, prakṛti se manifesta por Seu desejo e provê uma forma externa à jīva. A jīva pode considerar sua posição nesta condição de vida como uma oportunidade de grande felicidade mas, na verdade, trata-se de um castigo. Tal como quando um homem louco dança nu por aí – mesmo sendo açoitado pelas pessoas, sem comer ou beber, ele diz: “Eu sou o rei” ou “Eu sou o primeiro-ministro”, e desse modo ele acha que é feliz. Nossa condição é exatamente essa. Podemos nos considerar felizes, mas certamente nossa condição não é de felicidade.

Advaita Ācārya estava pensando, “Este mundo se tornou ateísta. Uma após a outra, as pessoas estão se esquecendo de Bhagavān, e corrigi-las sozinho não é uma tarefa possível para mim. Trazer devoção para os não-devotos será um trabalho muito difícil. Sem a śakti do próprio Kṛṣṇa, não será possível.”

Além dos devotos, há muitas pessoas no mundo pregando, mas estão todos pregando māyā. Estão pregando filosofias distorcidas e, ao ver isso, Śrī Advaita pensou: “Eles não têm nenhuma relação com Bhagavān e não pregam bhakti. Mesmo quando pregam com base no

Śrīmad-Bhāgavatam e Bhagavad-gītā, eles expressam apenas os desejos de suas mentes. São indiferentes ao sanātana-dharma e à devoção pura, e todos eles – especialmente os māyāvādīs – só ouvem o que desejam ouvir. Derrotar Rāvaṇa não foi uma tarefa tão difícil e matar Kaṁsa também não foi tão árduo. Tais ações poderiam ter sido realizadas por uma encarnação de Viṣṇu, mas mudar o pensamento destes māyāvādīs é muito difícil. Isso só será possível caso o Próprio Kṛṣṇa venha a este mundo”.

Já com quase sessenta anos de idade quando Mahāprabhu apareceu, Advaita Prabhu era o mais velho de todos os associados de Caitanya. Nityānanda Prabhu era cerca de cinco anos mais velho que Mahāprabhu. O plano de Mahāprabhu era inicialmente organizar o aparecimento de Seus devotos neste mundo e depois Ele próprio descenderia. Advaita Ācārya apareceu primeiro e, ao observar a condição do mundo, pensou: “Como chamarei Kṛṣṇa? Há muitas maneiras de adorar Kṛṣṇa, mas de todas elas, as glórias de tulasī são as mais elevadas. Kṛṣṇa ficará tão satisfeito com aquele que lhe oferecer folhas de tulasī e água do Ganges que tal pessoa terá domínio completo sobre Ele”. Depois disso, ele pegou um botão de tulasī – duas folhas macias com uma mañjarī no meio – e, com grande prema e lágrimas fluindo pelos olhos, adorou Kṛṣṇa às margens do Ganges.

Originalmente, Kṛṣṇa pensava, “Quando descerei? Talvez em dez ou vinte mil anos, ou mesmo após cem mil anos”. Mas quando ouviu a oração de Advaita Ācārya, Ele veio imediatamente. Portanto, Advaita Ācārya é outra razão importante da vinda de Mahāprabhu.

Após seu nascimento, Śrī Advaita recebeu o nome de Kamalākṣa, pois seus olhos eram tão belos quanto pétalas de lótus. Ele apareceu em Srihatta, na Bengala Oriental. Permanecendo um tempo em Navadvīpa e às vezes em Śāntipura, ele começou a pregar bhakti. Ele estava em Navadvīpa quando Mahāprabhu nasceu. Viśvarūpa frequentou a escola de Advaita Prabhu. Certo dia, mãe Śacī pediu que Nimāi chamasse Seu irmão; quando Ele chegou à escola, Nimāi olhou na direção de Advaita Ācārya e disse, “O que você vê? Você Me chamou aqui e não Me reconhece? Quando a hora apropriada chegar, você certamente Me reconhecerá”.

Há ilimitadas encarnações de Viṣṇu e todas elas não são diferentes de Kṛṣṇa, mas suas atividades e passatempos são diferentes. Portanto, por Advaita Ācārya não ser diferente de Hari, ele é advaita, e por ter manifestado bhakti em todas as direções, ele é conhecido como ācārya. Como ele pregava bhakti? Mesmo que alguém tivesse nascido em uma família de śūdras, muçulmanos ou qualquer outra, mas praticasse bhagavad-bhajana, Advaita Prabhu considerava tal pessoa melhor que um brāhmaṇa que não se ocupava em bhajana. Mesmo que alguém venha a nascer em uma venerável família de brāhmaṇas, seja um estudante exemplar e de boa conduta, fale apenas a verdade e jamais minta, se tal pessoa não se ocupar em bhagavad-bhajana, ela será inferior àquela que nasceu em uma família de śūdras ou cremadores mas que brada “Kṛṣṇa! Kṛṣṇa!”, mesmo que não pratique nenhuma outra atividade espiritual. Tal śūdra é superior a um caturvedī-brāhmaṇa: Advaita Ācārya provou tal ponto e o pregou.

Haridāsa Ṭhākura nasceu em uma família muçulmana. Na cerimônia de śrāddha do pai de Advaita Ācārya, o assento mais elevado e prasāda foram oferecidos primeiro à pessoa mais elevada. Advaita Ācārya estava realizando a cerimônia com a lua no local apropriado para o mês de Āśvina. As classes mais elevadas de brāhmaṇas estavam presentes – Bhaṭṭācārya, Trivedī, Caturvedī, Upādhyāya – e todos eram grandes eruditos. Após lavar seu pés, Advaita Ācārya mostrou-lhes seus respectivos lugares. Na frente havia um assento elevado e Advaita Prabhu estava de pé e pensando, "quem colocarei neste assento?"

Todos os eruditos pensavam: “Conheço tantas escrituras; certamente este assento será oferecido a mim.” Silenciosamente, todos eles aspiravam por isso. Advaita Ācārya saiu da casa e viu Haridāsa Ṭhākura, vestindo um laṅgoṭī e sentado ao lado da porta. Haridāsa estava pensando, “Os brāhmaṇas farão sua refeição aqui, então Advaita Ācārya certamente nos dará um pouco da prasāda deles.” Ele era tão humilde que pensou que se entrasse dentro da casa, ela poderia ser contaminada. De repente Advaita Ācārya o abraçou e Haridāsa Ṭhākura disse, "Oh, você é um brāhmaṇa e eu sou um muçulmano! Por me tocar, agora você deve se banhar." Mas após segurá-lo e levá-lo para dentro, Advaita Ācārya o colocou no assento elevado, gerando um grande rebuliço para todo lado. Os brāhmaṇas disseram, “Ao trazer um muçulmano até aqui, você contaminou este lugar e nos insultou! Não comeremos aqui!" Levando seus potes de água, todos se levantaram e partiram. Insultaram Advaita Ācārya, dizendo, “Você está indo contra os princípios de dharma!”

Mas Advaita Ācārya disse, “Hoje atingi o sucesso em minha vida e hoje meu pai alcançou Vaikuṇṭha. Ao oferecer respeitos a um Vaiṣṇava, hoje milhões dos meus ancestrais superaram māyā. Se Haridāsa Thākura comer aqui, será o mesmo que alimentar milhões de brāhmaṇas.”
Haridāsa Thākura começou a chorar e pensar, “Por causa de mim, todos estes brāhmaṇas foram insultados e não estão comendo.”


Mas Advaita Ācārya disse, “Haridāsa, hoje você certamente tomará prasāda aqui. Esta será a nossa grande boa fortuna." Então, disse aos brāhmaṇas, “Ele ficará e nenhum de vocês receberá prasāda. Na verdade, todos vocês devem partir imediatamente, pois já é um grande pecado ver os seus rostos. Haridāsa tem grande consideração por mahā-prasāda, por isso ele se inclui na classe de Vaiṣṇava. Qualquer um que não aceite isso é um ateísta, e aquele que julga um Vaiṣṇava por seu nascimento também. Vocês podem ir embora daqui e levar suas ofensas com vocês. Estão ofendendo Haridāsa e também me ofenderam.”

Todos os eruditos saíram da casa, mas do lado de fora, enquanto se preparavam para partir, começaram a conversar entre eles. "Advaita Ācārya não é uma pessoa ordinária. Ele é um grande erudito, conhece todas as escrituras e é um pregador de bhakti.” Continuaram a conversar e após reconsiderarem, retornaram, caíram aos pés de Advaita Prabhu e imploraram por perdão.

Advaita Ācārya teve muitos filhos, um deles chamado Acyutānanda, mas por alguns deles não praticarem bhajana, ele não os considerava mais seus filhos e os renunciou. Somente considerava seus sucessores aqueles que praticavam bhajana a Bhagavān. Especialmente devido a um incidente em Jagannātha Purī, Acyutānanda tornou-se seu sucessor. O Ratha-yātrā estava em andamento e, naquela época, Acyutānanda era apenas um pequeno garoto. Alguns Vaiṣṇavas vieram e perguntaram a Advaita Ācārya, “Qual o nome do guru de Śrī Caitanya Mahāprabhu?” Ele respondeu, “Keśava Bhāratī.”



Naquele momento, Acyutānanda estava sentado no colo do seu pai e após ouvir isso, começou a tremer de raiva. Ele era apenas um pequeno garoto! No entanto, levantou-se do colo do seu pai e começou a se afastar, dizendo, "Você não pode ser meu pai se pensa assim. Śrī Caitanya Mahāprabhu é o guru de todo o mundo! Como alguém poderia ser o guru dEle?”

Lágrimas surgiam nos olhos de Advaita Ācārya, e ele disse, "Você realmente será conhecido como meu filho. O que você disse está correto: Mahāprabhu é o guru de todo o mundo, mas ao realizar Seus passatempos na forma humana, Ele precisa dar exemplo aos outros. Caso contrário, o que aconteceria? Como as pessoas deste mundo saberiam que é necessário aceitar um guru? "

Desta forma, Advaita Ācārya fez muitas coisas maravilhosas. Ele foi assistente de todos os passatempos de Śrī Caitanya Mahāprabhu. Portanto, hoje oferecemos uma oração especial aos pés de Advaita Ācārya para que ele seja misericordioso conosco de modo que possamos progredir continuamente em bhakti e, finalmente, alcançarmos o serviço direto de Śrī Gauracandra.


Tradução: Madhukari Radhika devi dasi
Revisão: Ramananda das (Hari Cavalcante)

Capítulo 7 do Sri Prabandhavali

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

O “casamento” de Radha e Krsna

Tridandisvami Bhaktivedanta Narayana Maharaja
Varsana: 9 de Novembro de 2002

[Esta é uma palestra atrasada do período de Kartika– para inspirar os devotos a virem ao longo deste ano. Foi dado durante o Parikrama de Vraja Mandala em Varsana. Lá, Srila Bhaktivedanta Narayana Maharaj contestou a uma usual concepção errônea entre muitos Vrajavasis, que Radha e Krsna foram efetivamente casados em uma cerimônia oficiada pelo Senhor Brahma.Esta concepção errônea foi apresentada por um panda (brahmana estudioso e historiador) o qual acompanhou o grupo do parikrama aos vários lugares de passatempos em Varsana. O panda também referiu-se a Srimati Radharani como Matesvari, o qual é um título que significa a Mãe Suprema ou deusa. Srila Maharaj contestou este título, o qual é acurado de um ponto de vista filosófico, mas inconsistente com o humor dos servos de Sri Sri Radha e Krsna em seus passatempos de Vrndavana. – editores ]


Todas as glórias a Sri Guru e Gauranga!

Agora nós estamos em Varsana-dhama. Eu contei a vocês sobre as glórias de Varsana, e quero falar sobre radha-tattva. Srimati Radharani é a amada de Krsna, mas Ela não é uma mulher comum com desejos luxuriosos, como vemos nos relacionamentos entre os namorados e namoradas mundanos. Ela é antaranga-sakti (potência interna) do Senhor Krsna. Nós queremos discutir o que Ramananda Raya explicou sobre radha-tattva, krsna-tattva, rasa-tattva, prema- tattva e vilasa-tattva, e também o que o capítulo quatro do Adi- lila do Sri Caitanya Caritamrta declara a respeito destes importantes tópicos.
Além do mais, Srila Rupa Gosvami e Srila Raghunatha dasa Gosvami deram mais explicações sobre radha-tattva do que você pode encontrar em qualquer outro lugar, e vocês devem tentar aprender de todas explicações deles profundamente .
Temos muitos sábios eruditos aqui e eu estou solicitando que cada um deles não fale mais do que quinze minutos para oferecer seu puspanjali (oferecimento de flores de palavras de louvores sinceras). Eu quero que todos tenham uma oportunidade de falar.
Estamos aqui por somente três dias. Amanhã nós estaremos indo para Kamyavana e pode ser que retornemos após às 17h00 horas, então pode ser que não terá aula amanhã à noite. No dia seguinte iremos para Uccha-gaon, e no terceiro dia iremos para vários lugares ao redor de Nandagaon. Só teremos tempo para as aulas depois que retornarmos de Nandagaon e Uccha-gaon, então eu quero discutir aqui radha-tattva, bhakti tattva, prema bhakti, assim por diante.
Amanhã vocês estarão indo para Kamyavana, Charan Pahadi, Vimala Kunda, Bhojansthali, Setabandu, Vrnda-devi, Radha-Govinda, Gopinatha, Madana-Mohana, Panca-pandava, Draupadi Kunda, e muitos outros lugares. Tirtha Maharaj, que conhece todos os passatempos destes lugares, e também, nosso panda, irão estar lá. Se vocês forem, as bênçãos do dhama virão para vocês automaticamente. Se vocês ouvirem as narrações e explicações dos doces passatempos de Radha-Krsna durante o parikrama, vocês irão ser infundidos com toda energia transcendental– então vocês deveriam tentar ir. Estou também solicitando que vocês deêm daksina (uma doação) para nosso panda, e ele ficará satisfeito com qualquer doação que vocês lhe derem.
Algumas pessoas tem um falso orgulho e falso ego porque elas nasceram em Vrndavana e pensam ser Vrajavasis. Porém, se eles não tem os humores interno de Nanda Baba, Yasoda-maiya e todos os associados eternos de Krsna, eles não são Vrajavasis. Os reais Vrajavasis são aqueles que tem o humor dos Vrajavasis como Nanda Baba. Yasoda-maiya, os sakhas (amiguinhos) de Krsna e especialmente o humor das dasis (criadas) de Sri Radha.
Eu não quero ouvir Srimati Radhika referida como Matesvari Radha (A Mãe Suprema). Isto é muito equivocado. A maior parte das pessoas na Vraja transcendental pensam em Vrsabhanu Maharaj como irmão deles e em Lali (termo de afeição para Radha, que significa filha) como sua amada filha. Outros pensam de Radhika em amizade e Krsna pensa nela como sua amada. Como poderia ela alguma vez vir a ser Matesvari, ou mãe? Esta concepção é muito equivocada. Eu peço ao nosso amável panda, para desculpar-me. Ela poderia ser Matesvari em um sentido, mas em Vraja não há lugar para esta palavra Matesvari; não existe tal coisa. Não há humor de opulência aqui em Varsana, a atmosfera é sempre muito natural e doce.
Então, os assim chamados Vrajavasis irão contar a vocês que Radha se casou com Krsna, mas isto está errado. No Brahma-vaivarta Purana está escrito que Brahmaji veio para Vrndavana e celebrou a cerimônia de casamento de Radha e Krsna, na qual Lalita e Visakha cantaram algumas canções de casamento. Mas, como é que um casamento real acontece? A mera presença de um purohit (sacerdote) não é o bastante. Alguém deve formalmente conceder uma garota em caridade e este ritual cerimonial é chamado de kanya-dana.
Vemos a presença de Vrsabhanu Maharaj e Kirtida em Bhandiravana (o lugar onde ocorreu o “casamento”)? Também, Nanda Baba e Baladeva deveriam ter tomado parte na procissão do casamento juntamente com o noivo. Esteve um ou outro presente lá? Haviam quaisquer outros Vrajavasis que não as jovens gopis presentes? Se não, como foi que esta cerimônia de casamento aconteceu? Poderíamos dizer que uma troca de guirlandas aconteceu e, que isto está de acordo, isto é conhecido como um casamento Gandharva. Mas, se um casamento real tivesse acontecido, a noiva deveria ter ido para a casa do seu marido .
Radhaji alguma vez foi para a casa de Yasoda-maiya em Nandagaon como nora? Se a resposta pudesse ser “Sim”, então o que poderia separar o humor e lila de Satyabama e de Rukmini do de Srimati Radharani? Não existiria diferença. Mas, Rukmini e Satyabama são meramente expansões dos pés de lótus de Srimati Radharani.
É verdade que os arranjos de casamento estavam acontecendo. Planos estavam sendo feitos para o casamento de Radha e Krsna, mas Yogamaya Purnamasi devi veio e colocou um impedimento naquele casamento. Ela disse para os pais: “Este casamento não pode acontecer. A carta astrológica deles não é compatível; a nakshatra deles (constelações) não estão bem combinadas. Um importante sinal está ausente, de modo que a disposição é inauspiciosa para o casamento deles. Não, não. Este casamento não deveria acontecer. Abhimanyu, o filho de Jatila, é da mais rica família em Vraja. Ele é completamente qualificado, muito capaz e dotado com todas as boas qualidades. Ele deve casar-se com Ela.”
De que maneira este casamento de Radhika e Abhimanyu aconteceu?
Aconteceu entre chaya (imagens da sombra) – sombra de Krsna, Abhimanyu, casou com a sombra de Radha.
Suponhamos a guisa de argumento, digamos que Radhika de alguma maneira casou com Krsna. Mas, então e as outras gopis? O Srimad Bhagavatam declara:

pati-sutanvaya-bhrata-bandhavan
ativilanghya te ‘nty acyutagatau
gati-vidas tavodgita-mohitau
kitava yonitau kas tyajen nisi

["Querido Acyuta, você sabe muito bem por que viemos até aqui. Quem, senão um trapaceiro como você poderia abandonar mulheres jovens que vieram vê-lo no meio da noite, encantada pelo som alto de sua flauta? Só para vê-lo, rejeitamos por completo nossos maridos, filhos, ancestrais, irmãos e outros parentes." ( SB 10.31.17 ) ]

No comentário do Srimad- Bhagavatam, todas as gopis estão dizendo que todas elas deixaram seus maridos. O Srimad Bhagavatam é uma escritura autêntica, seu comentário não pode ser falso. Este relacionamento especial entre Krsna e todas as gopis é descrito pelo Srimad Bhagavatam afora. Por exemplo, Krsna fala às gopis quando ele retorna após seu desaparecimento na dança da rasa:

na paraye ‘ham niravadya-samyujam
sva-sadhu-krtyam vibudhayusapi vah
ya mabhajan durjara-geha-srnkhalah
samvrscya tad vah pratiyatuh sadhuna

[ " Não sou capaz de pagar minha dívida por seus imaculados serviços, mesmo que para tal tivesse toda uma vida de Brahma. Sua conexão comigo é incensurável. Vocês têm me adorado, cortando todos os laços familiares, os quais são difíceis de romper. Por esta razão, por favor, que suas próprias ações gloriosas sejam suas recompensas." (Srimad Bhagavatam 10.32.22) ]

Durjara-geha-srnkhala . Isto significa que as gopis deixaram seus maridos, e e está escrito em muitos outros lugares no Srimad Bhagavatam que as gopis de Krsna deixaram seus maridos para se encontrarem com ele na Dança da Rasa. Nós nunca ouvimos que Srimati Radharani ou as gopis se casaram com Krsna; senão esta citação do Srimad Bhagavatam seriam falsas.
Por motivo da rasa, é que elas tinham uma inclinação natural a Krsna como seu amado, ao invés de como seu marido. Rukmini não tem este mesmo sentimento; após o casamento dela com Krsna, Rukmini desenvolveu um humor reverencial. Em comparação, como as gopis se comportam? Elas são hladini-sakti de Krsna neste mundo, como também, no mundo espiritual e em todos os mundos nos quais elas possam aparecer. O relacionamento delas é imutável.Krsna reverencia sua cabeça nos pés de Radhika. Ele oferece sua flauta, seu bastão e todas as suas posses aos pés dela. Quando Srimati Radhika coloca a poeira dos seus pés na cabeça de Krsna, o mahavar (pintura vermelha do pé) deixa a marca na testa Dele. O que está escrito lá naquela marca? “Radha”. E quem escreveu isto no pé dela? Krsna. Krsna tem o nome “Radha” estampado em sua testa, e isto o satisfaz imensamente .
Rukmini e Satyabhama não podem fazer isto, porque após o casamento elas desenvolveram um sentimento reverencial pelo marido como mestre ou senhor delas. Se Radhika tivesse sido casada com Krsna, ela deveria ter desenvolvido este humor e se comportado de acordo. Algumas pessoas não entendem este ponto e por esta razão, tem uma concepção incorreta. Mesmo nosso erudito panda, uma inteligente pessoa, apóia a idéia de que aconteceu o casamento entre Radha e Krsna. Tais pessoas não tem conhecimento ou realização de rasa-tattva, e por isto falam desta maneira.
Tenho me oposto a tais idéias, e escrevi um livro sobre isto. Dê este livro para eles; deixe-os lê-lo. Eles não leram as obras de Srila Rupa Gosvami, Srila Sanatana Gosvami, Srila Raghunatha dasa Gosvami, Srila Jiva Gosvami, tampouco leram o Sri Caitanya Caritamrta. Se alguém não tem a associação dos associados de Sri Caitanya Mahaprabhu, irá ter concepções errôneas tal como a idéia de que Srimati Radhika é Matesvari.
Eu sou um servo dos pés de lótus de Radhaji:

bhajami radham aravinda-netram
smarami radham madhura-smitasyam
vadami radham karuna-bharardram
tato mamanyasti gatir na kapi

["Eu adoro Radha de olhos de lótus. Medito em Radha sorrindo docemente. Glorifico supremamente a misericordiosa Radha. Ela é a única meta de minha vida. Não tenho nenhuma outra meta." ( Sri Sri Radhikastottara-sama-nama-stotra, verso 131, por Raghunatha dasa Gosvami )]

radha-bhajane jadi mati nahi bhela
krsna-bhajana tava akarana gela
atapa-rohita suraya nahi jani
radha-virahita madhava nahi mani

["Se seu desejo por servir Srimati Radhika não acontece, então sua chamada adoração a Krsna é inútil. Eu nunca soube do sol sem luz  solar, então eu não gosto de considerar Madhava sem Radha." ( Sri Radhastakam Canção 8 – Srila Bhaktivinoda Thakura ) ]

sri-rupa-manjari-karacita-pada-padma
gosthendra-nandana-bhujarpita-mastakayah
ha modatah kanaka-gauri padaravinda
samvahanani sanakais tava kim karisye

["Como Sri Rupa Manjari massageará suas mãos, Oh! você, que é tão bela como o ouro, eu irei alegremente e gentilmente massagear seus pés de lótus enquanto você descansa sua cabeça entre os braços do príncipe de Vraja? (Sri Vilapa Kusmanjali verso 72 , por Srila Raghunatha dasa gosvami)]

Radhe Radhe Radhe Jaya Jaya Jaya Sri Radhe ! Não há nada mais.

Quando Krsna ouve o canto do nome de Sri Radha, Ele vai imediata como que automaticamente, para aquele lugar. Quando Krsna vem para o Kunja de Radhaji , as dasis dela como Rupa manjari, e também suas amigas, podem dizer: “Jahi Madhava, Jahi Madhava, Jahi Kesava!” ma bada kaitavabaadam “Vá embora Madhava, vá embora. Vá embora Kesava!” Quando Krsna vem, se Srimati Radharani está em maan (humor de zanga). Ela não irá deixar que aquela pessoa negra venha para dentro do seu kunja. As dasis dela como Rupa Manjari irão ralhar com Krsna, dizendo: “Vá embora imediatamente!” Então Krsna irá implorar a elas: “Por favor, arranje-me um encontro com Radhaji. Ó, deixe-me encontrar minha Svamini.” Esta é a glória de Srimati Radhika.
Vocês são tão afortunados por virem a Vrndavana com nosso grupo de parikrama na  associação de vaisnavas rasikas. Vocês são tão afortunados. Vocês terão que estar prontos amanhã pela manhã por volta das 6:30. Se se atrasarem, os ônibus já terão partido e vocês não serão capazes de viajar.

Gaura Premanande !

Consultor Editorial: Sripad Madhava Maharaja e Brajanatha dasa
Transcritora: Vasanti dasi
Tradução do Hindi ( partes da palestra falada por Srila Mahaja em Hindi ): Akilesh dasa
Editor: Janardana dasa
Assistente editor: Syamarani dasi
Digitação: Anita dasi
Supervisão geral da tradução em português: Kunja Bihari das
Traduzido para o português : consultores e equipe
Revisado : Laksmikanta das e Sarva Laksmi devi dasi
Digitação e organização : Govinda dasi

Edição para o blog: Ramananda Das

sábado, 31 de outubro de 2015

Os passatempos de Damodara

Tridandisvami Sri Srimad Bhaktivedanta Narayana Maharaja

[De uma série de palestras sobre a canção Sri Damodarastakam]

Vrndavana, India: 1996


[Respeitáveis leitores do Harikatha,
Por favor, aceitem nossas humildes reverências. Todas as glórias a Sri Guru e Gauranga.
O mês de Kartika (Out-Nov) revela um dos mais significativos festivais devocionais do ano Gaudiya Vaisnava. Durante a duração deste mês, ocorre um programa especial de adoração a Sri Krsna em Sua Damodara-lila, na qual Ele é amarrado com uma corda pela Sua mãe, Yasoda. Por esta razão, este mês é também conhecido como o mês de Damodara.

A bela prece relacionada a este mês, “Sri Damodarastakam”, o qual foi falado numa época antiga por Sri Satyavrata Muni em uma conversa com Sri Narada Muni e Saunaka Rsi e que aparece no Padma Purana, é cantada de manhã e de noite durante todo o mês de Damodara.

As palestras eruditas de Srila Narayana Maharaja sobre os múltiplos níveis de compreensão acerca de Damodara-lila e do “Sri Damodarastakam” têm nutrido e elevado os devotos por muitos anos durante o mês de Kartika. Embora os diferentes tópicos e pontos do siddhanta sejam repetidos todos os anos, as compreensões sublimes de Srila Narayana Maharaja dão a cada palestra seu próprio ponto de vista sutil, provendo perspectivas cada vez mais profundas. Srila Narayana Maharaja quer que abracemos e processemos estas mensagens no fundo de nosso coração.

Centenas de almas afortunadas estão reunidas atualmente em Sri Vrndavana-dhama com Srila Narayana Maharaja, visitando diariamente os muitos locais dos passatempos de Sri Sri Radha e Krsna no Vraja-mandala parikrama. As belas palestras Srila Narayana Maharaja ocorrem todas as manhas e noites destes dias repletos de parikrama, assim, não temos tempo para prepará-las para publicação. Desta forma, por favor, fique feliz por receber uma série de palestras dadas por Srila Narayana Maharaja nos Kartikas anteriores.

Nestes últimos anos ele falou em Hindi e seus discípulos traduziram para o Inglês. Estas palestras que vocês estão recebendo foram faladas por ele em Inglês. Elas foram especialmente saborosas e nutritivas na época em que foram proferidas, assim permanecendo ainda hoje em di.
Nós oramos para que vocês desfrutem do que se segue:]

namamisvaram sac-cid-ananda-rupam
lasat-kundalam gokule brajamanam
yasoda-bhiyolukhalad dhavamanam
paramrstam atyan tato drutya gopya

Nós temos explicado o comentário de Srila Sanatana Gosvami para o 1º verso do Sri Damodarastakam.
No décimo canto do Srimad-Bhagavatam, as gopis dizem para Sri Krsna: “Abandonamos nosso pati-vrata-dharma (dever de castidade em relação aos nossos maridos). Nós viemos até Você, tendo abandonado nossos relacionamentos com nossos maridos e familiares. Abandonamos tudo para vir até Você, e agora Você nos diz que teremos que ir para o inferno por isto?! De acordo com o dharma (códigos religiosos), a esposa deve apropriadamente honrar seu marido, seja ele manco, pobre ou tenha qualquer outro tipo de aflição; mas nós abandonamos nossos maridos e viemos para Você. Não pensamos que teremos que ir para o inferno, mas se tivermos que ir, Você também terá que ir. Por que Você assumiu uma forma tão bela e por que toca Sua flauta tão docemente?”
“Pensamos que, o que falar de qualquer mulher, não há ninguém em todo este mundo cujos sentimentos ou dharma não sejam mudados ao ouvir o doce som de Sua flauta. A natureza de todas as criaturas, animais, pássaros e mesmo dos rios e montanhas, se transformam ao ouvir Sua flauta. Portanto, nós não somos culpadas. Nós não somos as ofensoras; Você é o único ofensor porque tem uma face e qualidades tão belas. Você toca a flauta de tal modo encantador; assim, Você é a parte culpada e não nós.”
Sri Krsna é tão belo. O Senhor Narayana em Vaikuntha é muito belo, Sri Ramacandra é ainda mais belo do que Narayana e Sri Krsna de Dvaraka e Mathura é mais belo que Ramacandra. Contudo, quando Krsna aparece como Vrajendra-nandana e está na companhia das gopis, Ele é o mais belo de todos. É dito no Srimad-Bhagavatam que quando Krsna está com as gopis, Ele se torna manmatha-manmathah, aquele que atrai o Cupido. Nem Dvarakadisa Krsna nem Krsna em Vaikuntha é manmatha-manmathah. Nanda-nandana Krsna, especialmente quando Ele encontra-Se com as gopis, tem uma beleza sem paralelos. É somente com as Vraja gopis que Ele carrega Sua flauta. Quando Ele está com Satyabhama ou Rukmini como Mathuradisa ou Dvarakadisa Krsna, Ele não possui a flauta.


“Assim, não somos culpadas” – as gopis disseram, “Se alguém é culpado, é a Sua face, Sua beleza e Sua doçura. Todas estas são a aprte culpada mas não nós.”
Quando Krsna desapareceu desta Terra e entrou em aprakat-lila (Seus passatempos imanifestos) em Goloka Vrndavana, Uddhava sentiu profunda separação [saudade] dEle. Seguindo a ordem de Krsna, Uddhava foi se encontrar com Vidura e Maitreya em Badrika-asrama. Ao se aproximar de Vraja, ele encontrou-se com Vidura às margens do doce rio Yamuna. Ao ver Vidura, ele começou a chorar, rolando no chão com lágrimas fluindo de seus olhos. Vidura estava confuso sem entender o que estava acontecendo.
Chorando em sua profunda separação de Sri Krsna, Uddhava começou a falar para Vidura: “Krsna nos enganou. Ele foi para Goloka Vrndavana.” Uddhava falou para Vidura sobre o caráter e vida de Krsna, começando pelos anos da infância. Ele relatou tantos passatempos de Sri Krsna e, especialmente, descreveu a beleza de Sua forma:

yan martya-lilaupayikam sva-yoga-
maya-balam darsayata grhitam
vismapanam svasya ca saubhagarddheh
param padam bhusana-bhusanangam

["O Senhor apareceu no mundo mortal através de Sua potência interna, yogamaya. Ele veio em Sua forma eternal, que é adequada para Seus passatempos. Estes eram maravilhosos para todos, mesmo para aqueles orgulhosos da própria opulência, incluindo o Senhor Ele mesmo em Sua forma como o Senhor de Vaikuntha. Assim, o corpo transcendental de Sri Krsna é o ornamento de todos os ornamentos" (Srimad-Bhagavatam 3.2.12).

Sri Krsna veio a este mundo abrigando-Se em yogamaya. Ele diz no Bhagavad-gita:

naham prakasah sarvasya
yoga-maya-samavrtah
mudho 'yam nabhijanati
loko mam ajam avyayam

["Nunca Me manifesto para os tolos e sem inteligência. Para eles Eu estou coberto pela Minha eterna potência criativa; e também para os iludidos que não Me conhecem. Eu que sou não nascido e infalível" (Bhagavad-gita 7.25)].

Quando Krsna aparece neste mundo Ele está sempre coberto pela Sua potência yogamaya e, portanto, as pessoas comuns não compreendem que Ele é a Suprema Personalidade de Deus. Nós estamos situados na plataforma de maya, ilusão. Mesmo quando estamos fisicamente presentes em Mathura-dhama ou Vraja-Mandala, não estamos verdadeiramente nestes dhamas (locais sagrados dos passatempos do Senhor). Isto, é claro, não se aplica aos Vaisnavas puros. Ninguém pode ver Sri Krsna ao menos que tenha devoção pura.

premanjana-cchurita-bhakti-vilocanena
santah sadaiva hrdayesu vilokayanti
yam syamasundaram acintya-guna-svarupam
govindam adi-purusam tam aham bhajami

As personalidades santas, cujos olhos da devoção estão untados como bálsamo de prema, sempre vislumbram Sri Krsna em seus corações como Syamasundara, a personificação de qualidades inconcebíveis. Adoro esta personalidade original, Govinda. (Sri Brahma-samhita Verse 38)

Aqui o Senhor Brahma está dizendo que o Senhor Krsna realiza Seus passatempos neste mundo com o objetivo de atrair as jivas para a execução de serviço amoroso para Ele.
Krsna apareceu neste mundo sob o abrigo de yogamaya, Sua eterna potência criativa. Como foi isto? Quando Ele vem a este mundo, Ele ordena Sua potência yogamaya que providencie tudo. Seu nome, forma, beleza, qualidades, associados e passatempos são todos sat-cit-ananda.
No momento da prakat-lila de Sri Krsna, Sua manifestção neste mundo, todas as trepadeiras, árvores e tudo mais relacionado aos Seus passatempos eram sac-cit-ananda. Embora Duryodhana e outros como Ele estivessem neste mundo na época de Krsna, Eles não eram sat-cit-ananda.
Ao aparecer neste mundo, Sri Krsna ordena Sua potência yogamaya que planeje Seus passatempos. Com a ajuda de yogamaya, Ele Se surpreende quando vê a Si mesmo. Certa vez Ele estava brincando ao redor das colunas cravejadas de jóias de Sua casa, Nanda Bhavan. Ele era um menininho nu, com um punhado de manteiga em Sua mão. Quando Ele viu Seu reflexo na coluna de jóias, acreditando ser um outro menino, Ele ficou surpreso e pensou:“Quem é este garoto bonito? Quero fazer amizade com Ele.” Ele ofereceu Sua manteiga para o reflexo, dizendo: “Aqui, por favor prove esta manteiga.” Mas o reflexo também ergueu a mão e disse: “Aqui, por favor prove esta manteiga.”
Sri Krsna ralhou com o reflexo dizendo: “Por que você está repetindo Minhas palavras e gestos?” E Seu reflexo simplesmente copiou ralhando com Ele também. Confuso Ele pensou: “Vou dar uma palmada neste menino.”
Mãe Yasoda, batendo coalho nas proximidades, observava o menino brincando com Seu reflexo no pilar. Ao ver Sua mãe observando-O, Ele ficou envergonhado e correu para o colo dela, escondendo-se dentro das roupas dela.
Naquele momento Ele pensou: “Como Eu sou belo! Como posso saborear Minha beleza neste mundo e também em Goloka Vrndavana? Somente Srimati Radhika pode saborear por completo Minha beleza, assim, desejo pegar emprestado o sentimento dEla e prová-lo.” O próprio Sri Krsna, o que falar de outros tais como veados e de outras criaturas da floresta, torna-Se encantado ao ver Sua própria face que é doce, fragrante e macia.
Krsna não é somente extremamente belo, mas também o são todos os Seus associados. Todos são sat-cit-ananda e O ajudam em Seus passtempos. O Senhor Ramacandra tem Seus próprios associados, o mesmo é verdade para Dvarakadisa Krsna e Laksmi-Narayana. Dentre os associados de Ramacandra – Hanuman, Sita e Laksman – Hanuman é o mais elevado servo. Ele tem a forma de um macaco mas ainda assim ele é tão bonito. Sri Narada Muni é o associado de Laksmi-Narayana. Satyabhama e todas as rainhas de Dvaraka bem como o Primeiro Ministro Uddhava são Seus associados em Dvaraka. Ramacandra e Dvarakadisa Krsna e Seus associados são bonitos, mas a beleza de Sri Krsna é incomparável quando Ele está na companhia das belas Vraja gopis.
É somente em Vrndavana que Sri Krsna toca Sua flauta e em mais nenhuma outra lila.
Srila Sanatana Gosvami estabele aqui que os associados de Vrajendra-nandana Sri Krsna são superiores aqueles de Narayana em Vaikuntha e de Dvarakadisa em Dvaraka.
Srila Sanatana Gosvami dá outro exemplo: Sri Krsna desapareceu da rasa-lila e as gopis estavam chorando amargamente, cantando o Gopi-gita e orando para que Ele fosse até elas. Ele ficou envergonhado quando apareceu novamente diante delas. Elas haviam deixado tudo por Ele mas, ainda assim, Ele desaparecera da visão delas. Ele sentia-Se, portanto, culpado mas, ao mesmo tempo, Ele de alguma forma estava sorrindo. As gopis fizeram então um assento para Ele com seus véus. Neste momento, na companhia das Vraja gopis, Sri Krsna aparecia como o mais belo. Ele estava tão belo que não havia necessidade de nenhum ornamento ou pó de cuncuma para aumentar Sua beleza.
A poeira de Vraja é mais bonita que o pó de cuncuma. Se o Senhor tem esta poeira sobre Sua face, Sua beleza aumenta. Quando Ele corre nu como um menininho, Sua beleza aumenta ainda mais. Quando Ele usa ornamentos, estes são embelezados por Ele.

yan martya-lilaupayikam sva-yoga-
maya-balam darsayata grhitam
vismapanam svasya ca saubhagarddheh
param padam bhusana-bhusanangam

[“O Senhor apareceu no mundo mortal através de Sua potência interna, yogamaya. Ele veio em Sua forma eternal, que é adequada para Seus passatempos. Estes eram maravilhosos para todos, mesmo para aqueles orgulhosos da própria opulência, incluindo o Senhor Ele mesmo em Sua forma como o Senhor de Vaikuntha. Assim, o corpo transcendental de Sri Krsna é o ornamento de todos os ornamentos” (Srimad-Bhagavatam 3.2.12).

Krsna é tão belo.

Gaura premanande!

Consultoria editorial: Sripad Madhava Maharaja and Sripad Brajanath dasa
Editor: Premavati dasi and Syamarani dasi
Transcrição: Govinda Priya Dasi
Pintura: Syamarani dasi / Tradução para o Português: Basanti devi dasi

domingo, 20 de setembro de 2015

2002

Sri Radhastami (14/09/2002)

2007




Sri Radhastami (14/09/2002)

Mathura, India: 14 de Setembro de 2002 (am)
Tridandisvami Sri Srimad Bhaktivedanta Narayana Maharaja


Na ocasião da celebração de Sri Radhastami, na manhã do dia 14 de Setembro, Srila Narayana Maharaja estava presente na Kesavaji Gaudiya Matha em Mathura cujo altar, belíssimo, fora decorado de forma opulenta. Naquele momento, ele solicitou que Krsnadasa Brahmacari liderasse o kirtana “Sri Krsna Virahe escrito por Srila Bhaktivinoda Thakura”. Após o kirtana realizado pelos devotos reunidos, Srila Narayana Maharaja explicou alguns versos, a saber:
sri krsna-virahe, radhikara dasa, ami to’ sahite nari
yugala-milana, sukhera karana, jivana chadite pari
["Sou incapaz de tolerar a lastimável condição de Sri Radhika quando Ela sofre face as saudades que sente de Krsna. Todavia, estou plenamente preparado a abandonar imediatamente minha vida visando o benefício de Seu feliz encontro. (verso 1)]

A execução de qualquer serviço a Srimati Radhika tornar-se-á possível, somente sob a guia de Srila Bhaktivinoda Thakura que no humor de uma criadinha de Srimati Radhika, escreveu dizendo que não conseguia tolerar a condição dEla no momento em que Ela encontra-se separada de Krsna. Por outro lado, objetivando o encontro dEles, ele se mostra claramente preparado para abandonar a sua vida caso houvesse tal necessidade.
radhika-carana, tyajiya amara, ksaneke pralaya hoya
radhikara tare, sata-bara mari, se duhkha amar soya
["Se eu tiver que abandonar os pés de lótus de Srimati Radhika mesmo que por um instante, tornar-me-ei completamente devastado. Para o benefício dEla, alegremente tolerarei a dor e a agonia da morte centenas de vezes. ." (verso 2)]
Srila Bhaktivinoda Thakura está dizendo: “Eu posso abandonar tudo. Posso até mesmo abandonar Krsna porém, não posso abandonar os pés de lótus de Srimati Radhika nem mesmo por um momento. Estou preparado para morrer centenas, milhares de vezes pelo serviço a Radhika contudo, não toleraria o abandono da associação dEla nem que fosse por um segundo. Quando virá o dia em que poderei realizar algum serviço aos Seus pés de lótus? Qual é o processo necessário para que eu possa ter apego por essa Radhika e como posso alcançar a perfeição do serviço aos Seus pés de lótus?
e heno radhara, carana yugale, paricarya pabo kabe
haha braja-jana, more doya kori, kabe vraja-vane laibe
["Quando serei capaz de servir aos dois pés de lótus de Radhika? Alás, eu imploro a todos vocês, Ó residentes de Vraja, por favor sejam misericordiosos comigo agora. Quando vocês irão me levar para as florestas de Vraja? (verso 3)]
vilasa manjari, ananga manjari, sri rupa manjari ara
amake tuliya, loho nija pade, deho more siddhi sara
["Ó Vilasa Manjari! Ó Ananga Manjari! Ó Rupa Manjari! Por favor levantem, tragam-me próximo aos seus próprios pés de lótus. Através disso, concedendo-me a última perfeição." (verso 4)]
Chorando amargamente, Srila Bhaktivinoda Thakura está orando, “Ó Vrajavasis, por favor sejam misericordiosos comigo! Situem-me no serviço ao Casal Divino; especialmente no serviço aos pés de lótus de Radhika. Quando virá o dia em que Sri Vilasa Manjari e outras manjaris irão me levar a Vraja? Eu anseio por realizar esse tipo de serviço.”
[Após o kirtana mencionado acima, os devotos cantaram a canção escrita por Srila Gaura Kisora dasa Babaji Maharaja intitulada Uddesye Racita Gita Boliya Pracalita. Esta canção escrita no idioma Bengali glorifica o objetivo da vida de Srila Raghunatha dasa Gosvami.
Kothaya go premamyi radhe radhe
Radhe, radhe go, jaya radhe, radhe
Onde está Ela que é a corporificação de prema? Todas as glórias a Sri Radha. (1)
Ó Radha! Por favor conceda-me o Seu darsana e assim, me salve. O Seu desprezível
mendigo clama por Você, "Radhe, Radhe!" (2)
Ó Radha, Você desfruta de passatempos prazerosos na floresta de Vrndavana onde Você encanta a mente de Krsna. (3)
Ó Radhe, Você é a jóia suprema dentre as Suas oito sakhis principais. Ó Radha, filha de Vrsabhanu Baba. (4)
Srila Raghunatha dasa Gosvami estava sempre bradando, "Radhe! Radhe!" (5)
…às vezes no Kesi Ghata, às vezes no Vamsi Vata. (6)
…às vezes em Nidhuvana, às vezes no Seva Kunja. (7)
…às vezes no Radha Kunda, às vezes no Syama Kunda. (8)
…às vezes no Kusuma Sarovara, às vezes em Giriraja Govardhana. (9)
…às vezes em Talavana, às vezes em Tamalvana. (10)
Srila Raghunatha dasa Gosvami traja uma simples roupa que parece estar suja porque ele está sempre chorando e rolando na terra. Ele profere em voz alta"Radhe! Radhe!" (11)
Enquanto ele clama "Radhe! Radhe," uma maré de lágrimas brota de seus olhos.
Ele perambula por todas as travessas de Vrndavana gritando, "Radhe! Radhe!" (13)
Ele atenta-se somente a Sri Sri Radha-Govinda por todo o dia e por toda a noite
(56
dandas: 1 danda= 24 minutos). Radhe! Radhe! (14)
Ele descansa somente 4 dandas (1 hr. 36 min.), em cujo momento, em seus sonhos, ele recebe o darsana de Radha-Govinda. Radhe! Radhe! (15)
[Srila Narayana Maharaja:] Srila Krsnadasa Kaviraja Gosvami ouviu o harikatha de Sri Sri Radha-Krsna de Srila Svarupa Damodara, Srila Raya Ramananda, Srila Rupa Gosvami e especialmente de Srila Raghunatha dasa Gosvami. Assim, ele fornece esse tattva: Srimati Radhika é Govinda-nandini, o reservatório completo da felicidade do Senhor Krsna. Certamente, não há nada mais elevado do que isso!
Srila Krsnadasa Kaviraja Gosvami revelou alguns nomes de Srimati Radhika na sua obra intitulada Sri Caitanya-Caritamrta. Esses nomes foram revelados na seção Adi-lila/quarto capítulo dentre os quais, podemos citar Govinda-nandini. Govinda é o controlador de tudo, o limite extremo do conceito do Supremo Senhor Krsna Que possui opulência e doçura ilimitada. Quem pode dar-Lhe felicidade? Apenas uma pessoa é capaz disso. Esta pessoa é o próprio Krsna na forma de Srimati Radhika.
Ela também é chamada de Govinda-mohini. Bhagavan Sri Krsna atrai a todas as entidades inclusive os animais, árvores e trepadeiras. Ele atrai principalmente todas as gopis de Vraja. Por outro lado, Srimati Radhika O atrai. Ele confunde e encanta a todos neste mundo através da Sua maya-sakti assim como no mundo espiritual Ele o faz através da Sua bela forma, qualidades e passatempos. Ele é capaz de colocar todos em ilusão. Mesmo assim, Srimati Radhika O confunde.
Ela é Govinda-sarvasya. Ela significa tudo para Krsna, Ela é tudo para Ele. Para Ele, não existe nada que não exista nEla.
Sri Radha é Sarva-kanta siramoni, a jóia suprema de todas as amadas do Senhor Krsna. Após o Seu desaparecimento da dança da rasa, todas as gopis saíram a Sua procura. Quando as próprias svapaksa gopis (as gopis do grupo de Sri Radha) viram as pegadas dEla junto com as pegadas de Krsna, elas ficaram muito felizes ao perceberem que as mesmas Lhe pertenciam. Porém, tal percepção não ocorreu quando os outros grupos de gopis viram tais pegadas. Desconhecendo a quem elas pertenciam, elas não foram capazes de compreender tudo plenamente. Na verdade, somente foram capazes de compreender que aquela gopi em particular, havia servido Krsna de uma forma muito superior às demais gopis. Desta forma, elas concluíram que Ele havia deixado a dança da rasa na companhia dEla.
A própria Sri Radha tornou-se Candravali assim como Ela expandiu-Se nas demais gopis. Não há outra amada de Krsna além de Srimati Radhika Que por sua vez, expandiu-Se em todas as Laksmis e em todas as rainhas de Dvaraka. Caso um praticante medite profundamente nisto, ele será capaz de compreender a magnitude dEla. Sita-devi e todas as Laksmis são manifestações de Radha, Que assume essas formas a fim de satisfazer os desejos de Krsna.
Ela é Krsna-mayi; Ela vê o Senhor Krsna em todos os lugares, dentro e fora de Si mesma. Onde quer que Sua mente ou sentidos estejam, tudo ocorre com o propósito voltado ao tema “Krsna”. Quando Ela vê uma árvore tamal Ela pensa, “Ó, lá esta Krsna”. O nome dEla é Srimati Radhika face a dois fatores a saber: Ela satisfaz a todos os desejos de Sri Krsna e Ele próprio A adora e A corteja. Um exemplo da adoração dEle dá-se no momento em que Ele deixa a dança da rasa e A leva Consigo a um local solitário. Naquele ensejo, até mesmo as vipaksa-gopis (grupo de gopis rivais ao grupo das gopis de Srimati Radhika) deferiram a este respeito. Radhika é a pessoa mais adorável que existe. Similarmente a Krsna, Ela também é Para-devata. Portanto, não seria Ela passível de adoração por todos?
Certa feita, Srimati Radhika perguntou a Vrnda-devi, “De onde você está vindo?” Vrnda- devi respondeu, “Estou vindo do Radha-kunda. Eu vi Krsna lá.” Radharani perguntou novamente, “O que Ele estava fazendo?” Vrnda-devi respondeu, “Ele estava dançando. Então, Radha perguntou, “Ó , quem era o Seu professor de dança? Vrnda-devi Lhe disse, “O Seu reflexo, o qual Ele vê em todas as árvores.”
Todo o prema, amor, existente neste mundo é procedente de Radhika. Ela é a mãe de todos posto que, Ela nutre a todos ao conceder-lhes amor. Krsna é a Deidade principal de todas as entidades assim como Ela o é. Isto é confirmado no Brahma Samhita:
ananda-cinmaya-rasa-pratibhavitabhis
tabhir ya eva nija-rupataya kalabhih
goloka eva nivasaty akhilatma-bhuto
govindam adi-purusam tam aham bhajami
["Eu adoro Govinda, o Senhor original, que reside na Sua morada pessoal, Goloka, na companhia de Radha, que assemelha-Se a própria forma espiritual dEle. Radha é a corporificação da potência extática chamada hladini. Suas companheiras são as confidentes dEla as quais expressam extensões da Sua forma corpórea. Estas confidentes são imbuídas e permeadas pela eterna e deliciosa rasa espiritual.]
Sri Radhika é Sarva-laksmi-mayi, isto é, todas as diferentes gopis emanam dEla. Portanto, Ela é adistatri-devata (Deidade predominante) de todas as sakhis. Ela é a Deidade que controla todas as amadas (gopis) existentes. Ela também é chamada de Kanti, face a lila da dança da rasa, onde somente Ela foi capaz de satisfazer o desejo de Krsna. Naquele ensejo, havia centenas e milhares de gopis dançando. Todavia, quando Ela deixou a dança da rasa, a mesma parou. Krsna Bhagavan aparece como Sri Caitanya Mahaprabhu a fim de saborear todos os sentimentos amorosos dEla posto que, tal percepção não é possível nas lilas de Vraja.
Quais são os pensamentos de Krsna quando Ele está em Mathura e Dvaraka sentindo saudades de Radhika? Ele ora para Ela, "Ó Aradhya! Ó Radha ! Minha mais adorável! A minha mente sempre permanece Contigo. Estou sempre ansiando a poeira dos Seus pés de lótus. De uma forma ou de outra, permaneço em Vrndavana. Ó Srimati Radhika, visando encontrar Você, perambulo naquelas florestas tocando a Minha flauta. Ó Radhike, quando vou ao Yamuna, tenho a intenção de encontrar Você embora pareça que o faço para banhar-Me. Caso contrário não haveria nenhuma necessidade em ir até o Yamuna. Na verdade o faço apenas para encontrar e servir Você.
"Paro de apascentar as vacas assim como paro de realizar todas as outras atividades. Ao ver a Sua beleza, a minha avidez torna-se incontrolável; Meus olhos se movimentam em todas as direções e a Minha mente torna-se inquieta. Costumo esperar sob uma árvore kadamba onde ponho-Me a pensar, "Quando Ela irá passar por este caminho? Medito nas Suas qualidades, na Sua beleza que assemelha Se a auspiciosa constelação svati-naksatra.
O pássaro cakora não bebe nenhuma água a não ser a água procedente das nuvens que aparecem na constelação svati. Similarmente, sou como um pássaro cakora e a Sua beleza como a chuva que descende durante a constelação svati. Estou esperando com tamanha avidez para receber Seu darsana. Sua beleza e Suas qualidades roubam Meu coração. Esqueço de tudo quando não estou na Sua presença pois só consigo pensar em Você."
Ouvindo tudo isso, Srimati Radhika responde, "Ó Prananatha, Senhor de Minha vida, do Meu ar vital. Sou Sua serva eterna e Você é a Minha vida e alma, o único amor na Minha vida. Desta forma, entrego Me aos Seus pés de lótus. Você pode Me amar assim como pode Me rejeitar quer seja na Sua vida, quer seja na Sua mente. Você pode Me abandonar e assim, causar-Me sofrimento. O que quer que Você deseje, a Sua felicidade é a Minha felicidade assim como a Sua vida corresponde a Minha própria vida. Não anseio por nada na Minha vida além da Sua felicidade. Assim como Você é capaz de compreender minhas felicidades e amarguras, também sou capaz de compreender as Suas. Você sente felicidade ao ver-Me. Por outro lado, quando O vejo, a intensidade da felicidade que sinto é milhares de vezes superior a experimentada por Você. Não há nada que se assemelhe a Minha felicidade nestes mundos. Sou feliz apenas por ver que Você está feliz. Estou sempre jovial face ao fato que desconheço a felicidade de outros posto que, desejo somente a Sua felicidade. Anseio em ver Você feliz de manhã até a noite e da noite até a manhã seguinte.
"Quando Você Me vê, sei que Você fica feliz. Por esta razão, ornamento-Me de diversas formas com sringara (ornamentos) e alankara (decorações). Faço isto apenas para Você Que quando Me vê decorada com todos esses ornamentos sente tremenda felicidade. Eu Me dedico aos Seus pés de lótus somente visando o crescimento da Sua satisfação e realização dos Seus desejos. Fico muito feliz quando Você Me diz, "Você é a Minha amada, Minha vihari, Minha amante, Minha vida e alma." Ninguém pode compreender a felicidade que sinto. Não há nada neste mundo que se compare a tal sentimento.
"Quando Você Me diz, "'Ó Swaminiji, Ó Pranesvari Radhika, Ó Minha kanta,' Meu coração transborda de alegria, assim como Você sente o mesmo sentimento ao saborear as palavras "Radha", "Pranesvari" e tantas outras. Assim, fico encantada embora ora sinto vergonha ao ouvir tais palavras, ora sinto enorme felicidade. Externamente fico tímida e internamente extremamente feliz."
Depois Krsna fala para Srimati Radhika, "Você é a morada do amor, amor este, incomparável. Ó Vrsabhanu-nandini, (filha de Vrsabhanu Maharaja), Você é a morada de todas as rasas e Eu, o que sou? Estou sempre passeando e mudando de florestas enquanto apascento as vacas, sou tolo, desprovido de caráter religioso e de inteligência (a não ser a necessário para apascentar as vacas). Desconheço as regras e restrições do amor. Cujos princípios somente Você pode Me ensinar. Estou sempre correndo atrás das vacas, brincando de esconde e esconde e de tantos outros jogos e brincadeiras pertinentes a um garoto de aldeia ao passo que Você, é o próprio rio de prema (amor). Sou como a terrível areia do sol quente do verão e Você, por outro lado, é o rio do amor. Como é possível haver qualquer comparação entre Eu e Você? Quando Você Me concede o darsana do seu amor, torno-Me imediatamente feliz. Quando Você Me concede a Sua misericórdia e o Seu belo olhar, torno-me endividado."
O Senhor Krsna também declara as gopis durante a rasa-lila: "Não tenho qualificação sendo apenas um mendicante do seu amor."
na paraye 'ham niravadya-samyujam
sva-sadhu-krtyam vibudhayusapi vah
ya mabhajan durjara-geha-srnkhalah
samvrscya tad vah pratiyatu sadhuna
["Não sou capaz de reciprocar e quitar Minha dívida (nem mesmo no período que compreende a vida do senhor Brahma) com Vocês face o seu serviço imaculado. Vocês romperam com todos os laços domésticos, os quais são difíceis de serem rompidos. Portanto permitam que suas próprias glórias sejam a devida compensação para tal ato." (SB 10.32.22)]
Agora Sri Krsna confirma este mesmo assunto quando Ele diz para Sri Radha, “Estou deveras endividado com Você. Como posso Me tornar livre desta dívida? Por favor seja misericordiosa pois Você é a morada da misericórdia. Somente Você é capaz de Me dar amor e satisfazer Meus desejos.”
Ao ouvir isto, Srimati Radhika envergonhada, responde, “Ó Syamasundara, Ó possuidor de olhos semelhantes a pétalas de lótus, Ó filho do Vraja-raja (rei de Vraja). Você rouba Meu coração. Estou disposta a desconsiderar todas as regras e restrições sociais a fim de Me encontrar com Você.
Abandonarei a casa da minha sogra, todas as considerações de timidez, anseio de respeito alheio, religião e irreligião. Eu quero Me dirigir até Você mantendo e tendo-Te como Minha propriedade. Eu quero manter-Te comigo. Todavia, sou apenas uma garota de vilarejo, desprovida de qualidades e beleza. Por outro lado, Você é extremamente qualificado e belo sendo o próprio ornamento da Sua dinastia. Não há rasa em Mim, tão pouco tenho ideia sobre ela, ao passo que Você, é a própria morada de rasa. Você é o oceano de misericórdia. Desta forma, por favor, conceda-Me a sua misericórdia. Esse é o meu desejo.”
Ninguém seria capaz de escrever sobre esses tópicos sem a misericórdia e consentimento de Srila Rupa Gosvamipada e Srila Raghunatha dasa Gosvami. O conceito acerca de Srimati Radhika ser o centro de tudo e todos é revelado exclusivamente aos praticantes da nossa Gaudiya Sampradaya. Temos a especialidade de pensarmos que Krsna sente saudades de Radhika. Não há outros acaryas (em outras escolas) capazes de discorrer sobre todas as verdades aqui apresentadas.
Srila Gaura Kisora dasa Babaji Maharaja está glorificando e orando a Srila Raghunatha dasa Gosvami em sua canção (kirtana) intitulada, Uddesye Racita Gita Boliya Pracalita onde ele diz que Raghunatha dasa Gosvami estava sempre perambulando e divagando, às vezes em Nidhuvana e às vezes em Vamsivata, proferindo em voz alta, “Radhe! Radhe!”
Gaura premanande!!!

Edição: Ramananda Das (Felipe D´Aviz)